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Sobreviver à Educação

Publicado por Nelson 30/07/2015 0 Comentários

Estaremos nós, pais, professores e educadores, realmente a providenciar a melhor educação às nossas crianças? Os nossos ensinamentos iluminam e libertam-os da ignorância ou acorrentam a sua creatividade, a sua individualidade, enfim... a sua essência?

Apesar da infância como construção social existir desde os séculos XVII e XVIII, atualmente a sua relevância social deve-se ao facto de novos tempos introduzirem novas circunstâncias e condições à vida das crianças e à inserção social de infância, o que promove que toda a sua dimensão tenha necessidade de ser reavaliada, incluindo a sua condição de aluno, ou mais concretamente o seu ofício de aluno.

Assim, tanto a família e/ou o grupo social a que a criança pertence, bem como os professores/educadores que com elas trabalham e ainda, mas não menos importante, os grupos de pares onde se multiplicam interações, atuam sobre todo o seu processo de desenvolvimento, sendo impossível fazer uma cisão entre a influência destes elementos, pois eles não são estanques na medida em que concorrem todos numa ação constante e permanente do lugar que a infância, e consequentemente as crianças ocupam na sociedade.

O campo de influência da família relaciona-se com o facto de em vez de ser nesta que a criança encontra um espaço naturalmente tranquilo, sensível às suas especificidades e carências, onde todo o meio envolvente a vê como um ser portador de novidade e caminho para um renascer do mundo e a protege, na verdade, é um espaço onde a criança é muitas vezes negligenciada, maltratada, usada como instrumento de reparação de contratos matrimoniais em decadência ou, até mesmo, “armas de arremesso” entre casais já desfeitos, etc. Não querendo com isto generalizar, é urgente uma análise profunda dos efeitos das transformações modernas da estrutura familiar dos tempos atuais nas crianças, e consequentemente na sua condição social em diferentes contextos, incluindo e essencialmente na escola.

É nesta que as crianças atualmente passam a maior parte do seu tempo, e se não em real contexto escolar em outras atividades com a finalidade de ocupar o tempo destas, não permitindo em muitas situações que elas tenham tempo para a descoberta dos seus limites e a perceção da própria liberdade. Recorrendo a Montandon (2001), autora que apresenta noções com as quais me identifico, posso referir que nas instituições educativas se torna extremamente rica a recorrência a uma consciência de que a criança é um ser capaz, inteligente e com grande capacidade de argumentação, tendo plena consciência do que faz e porque o faz, ou seja, sem que se esquecessem da função essencial da escola, ensinar, mas não única, os professores/educadores devem ter em consideração uma prática que vise a promoção e desenvolvimento de um indivíduo inserido desde que nasce na sociedade, mas em todos os aspetos único e essencial e não a criação de condições que levem a criança a sentir-se simplesmente um entre muitos.

Deste modo considero essencial que professores/educadores sigam uma mentalidade cuja não tenha a criança como, a já tão conhecida expressão de Locke, tábua rasa na qual é função do professor inculcar normas e saberes, mas sim como um ser com capacidade para dar significado próprio às experiências realizadas e destas retirar aprendizagens.

 

Autoria de Susana Faria - Educadora de Infância

 

Leitura de referência:

  • Montandon, C. (2001). “Sociologia da Infância: Balanço dos trabalhos em língua inglesa.” In Cadernos de Pesquisa, nº 112, pp. 33 – 60
Tags: Opinião

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